Para quem pretende viajar e conhecer Buenos Aires fora dos circuitos convencionais este é um blog feito por um portenho que mora no Brasil.
Os cantos e os locais menos freqüentados por turistas, os costumes e os gostos típicos dos que moram por lá... As fotos e as curiosidades dos bairros, uma aproximação bem detalhada para conhecer melhor a cidade que atrai milhares de turistas brasileiros e europeus por charme e por preços.
O Abasto é um bairro de Buenos Aires bem interessante. No bairro, foi construído o primeiro mercado de abastecimento de frutas e verduras dentro da cidade, Inaugurado em 1893 com mais de 1.300 m2 inspirado em vários mercados europeus da época como o Mercado Les Halles de Paris ou o Mercat Sant Josep de la Boquería em Barcelona.
Tinha uma linha de trem que passava perto e que unia os bairro de La Boca e Olivos, ambos produtores de frutas, verduras e legumes.
Em 1933 fizeram que tivesse conexão com o sub-solo do mercado através da linha de metrô que passava pelo local e que até hoje existe, para acessar ao atual shopping.
Somente em 1939 foi permitida, dentro do mercado, a venda de carnes e peixes. O Mercado de Abasto deixou de funcionar em 1984, e conseqëntemente, fazendo que a região ficasse abandonada. Muitas das casas e locais foram abandonados, “tomados” por pessoas que não tinham lugar onde morar. Assim, entre 1984 e 1998 –ano em que se inaugurou o Shopping Abasto- o bairro foi práticamente terra de ninguém apesar das grandes expressões artísticas típicamente portenhas que ali se encontravam.
Estabeleceram-se muitos imigrantes, principalmente peruanos, bolivianos e chineses. Estes começaram a abrir comércios, principalmente restaurantes com suas comidas típicas. Para a grande maioria da população a Avenida Corrientes, que passa pela região, tinha um hiato. Entre os bairros de Almagro e Once, pouquíssimas pessoas caminhavam pelo local.
O fileteado, uma técnica pictórica típica do Rio de la Plata, tinha um grande acervo no bairro, junto com o tango. Anos se passaram até que o governo da cidade decidiu restaurar a rua onde Carlos Gardel viveu –era chamado “el morocho del Abasto (o moreno do Abasto)-, e hoje há locais onde se pode comprar antigüidades, objetos típicos e temáticos sobre o tango, assistir shows e bailes, além de visitar o museu que leva seu nome.
A cidade de Buenos Aires sempre tivera problemas para que as grandes embarcações pudessem descarregar as mercadorias e os passageiros que transportavam. A escassa profundidade do rio fazia com que os navios somente pudessem ancorar longe das costas e levar sua carga em grandes lanchas ou outros navios de menor envergadura.
Em 1882 o governo nacional contratou ao comerciário Eduardo Madero para que ele se encarregasse da construção de um novo porto que resolvesse essas dificuldades. O projeto venceu os concorrentes baseado em uma imagem de modernidade que a cidade queria para essa época. A construção se iniciou em 1887, e acabou dez anos depois. Foi um desafio da engenharia da época, pois contava com pontes giratórias, docas e outras novidades para os portos da época. Mas o empreendimento ficou obsoleto no início do século XX. Um concorrente de Madero, o engenheiro Huergo, projetou e construiu o Puerto Nuevo, ainda operando hoje, após um século.
Puerto Madero, então, se converteu em uma região degradada, em decadência. Ao longo do século XX houve várias tentativas de resolver esse problema urbanístico. Derrubar as instalações, remanejar os espaços e outras alternativas foram desestimadas até 1989. No dia 15 de novembro desse ano, o Ministério de Obras e Serviços Públicos e a Município da Cidade de Buenos Aires assinaram uma ata de constituição de uma sociedade anônima chamada “Corporación Antiguo Puerto Madero” onde os órgãos tinham participação como sócios igualitários.
São 170 hectares que tinham vários donos. Todos eles de ingerência estatal. O convênio novo transferiu a totalidade da área para a nova sociedade anônima e o governo da cidade ficou a cargo da regulamentação do projeto de desenvolvimento urbano.
Puerto Madero esta divido em 4 Docas: Dique 1, Dique 2 -onde está o famoso Faena Hotel que foi desenhado por Phillip Starck o primeiro em América do Sul-, Dique 3 e Dique 4. Lá o turista encontra restaurantes, lojas, museus, a sede da Universidade Católica Argentina, o buque museu Fragata Presidente Sarmiento, e três grandes e luxuosos hotéis cinco estrelas, o já mencionado Faena, o Sofitel e o Buenos Aires Hilton; além de lojas de degustação de vinhos e outros produtos típicos da Argentina.
Em 2001 foi inaugurado a Ponte da Mulher, obra de Santiago Calatrava. Uma curiosidade é que todas os nomes das ruas e avenidas do bairro são de mulheres importantes da história argentina e latino-americana.
Em 2007 o governo portenho inaugurou o Trem do Leste (Tren Del Este) que cujo percurso une os extremos norte e sul do bairro, cubrindo as quatro docas que o compõem.
Também nos últimos anos começaram a ser construídas muitas torres residenciais de alto nível.
Palermo é o bairro com maior número de espaços verdes em parques, bosques e praças. Também, hoje, é o bairro onde convivem os ateliês de arte, as grifes de moda alternativa, os outlet para comprar roupa a melhor preço -chamado Palermo Queens- e, ainda, é um espaço onde há infinidade de alternativas para a boa gastronomia ou simplesmente para sentar em bares e pubs e curtir uma noite bem animada.
O nome do bairro vem do dono dessas terras. No final do do século XVI) o bairro era um campo de cultivo de frutas e videiras, propriedade de Juan Dominguez Palermo.
Palermo tem vários sub-bairros. Cada um com suas características próprias. Há locais onde prevalecem residências e mansões nas Avenidas Figueroa Alcorta e Libertador, Palermo Hollywood -chamado assim pelos estúdios de gravação de cinema e TV e muito frequentado por atores e celebridades-, Las Cañitas que é um pólo gastronómico clássico da cidade e Palermo Soho onde o visitante se depara com os já mencionados ateliês e lojas de design e grifes, dentre outros.
Pode-se dizer, que Palermo encarna em pequena escala, o ecletismo da cidade toda. Convivem em harmonia, diversas tribos e costumes. Os amantes do dia, tem a proximidade dos grandes parques, os lagos, o hipódromo, os passeios de bicicleta, cafés literários e os jardins botánico e zoológico.
Para os que curtem a noite, pubs, restaurantes da alta cozinha, bares descontraidos -alguns deles com shows ao vivo- cervejarias e lojas de degustação de vinhos.
Alguns locais imperdíveis para quem passar por lá são: a praça Serrano -também conhecida como Praça Julio Cortázar- onde estão os bares "El Taller" e "Crónico", uma feira de artesanato e muita atividade diurna e noturna.
O Jardim Botánico e o Jardim Zoológico um em frente ao outro, são passeios muito interessantes. O Museo Evita é um bom ponto para quem se interessar um pouco pela história argentina e do bairro também. Lá funcionava um lar para os sem teto e para aqueles imigrantes internos que vinham para Buenos Aires à procura de emprego ná época onde Evita era a primeira dama do país. O visitante poderá conhecer como funcionava o estabelecimento e a obra da controvertida e mítica Eva Perón, em uma amostra bem selecionada e com variados recursos tais como trechos de filmes, fotografias, documentos, áudios, etc.
Para os passeios ao ar livre, sem dúvida, o maior destaque é para o Rosedal. Um espaço bucólico no centro do Parque Tres de Febrero, onde há um lago e aluguel de botes para remar ou pedalar. Há uma ponte branca que data do século XIX, e que leva ao visitante à ilha central do lago. Também nesse parque estão o Planetário Galileo Galilei e o Jardín Japonês também são passeios muito legais. E, com bom tempo, todo esse percurso é ideal para ser feito alugando bicicletas.
Finalmente, para quem é amante dos cassinos e o jogo, além das corridas de cavalos -onde até bem pouco tempo atrás participava nosso jóquei Jorge Ricardo- o hipódromo alberga roletas eletrônicas e máquinas caça-níqueis como nos melhores cassinos de Las Vegas.
Além das atrações, há innúmeras ofertas de hospedagem para os turistas que vão desde hostels, passando por apartamentos de temporada até hotéis de luxo.
A região que ocupa hoje o bairro de La Bocaé onde Pedro de Mendoza fundou pela primeira vez a cidade de Buenos Aires em 1536. Na época da colônia espanhola, era uma localidade aonde chegavam e habitavam os escravos negros em grandes barracões. Depois, com a independência, ali, salgavam-se as carnes que a Argentina exportava junto a oficinas onde se curtia o couro.
La Boca foi o principal porto de Buenos Aires, e no final do século XIX ainda era o local aonde chegavam a maioria dos navios. Desta forma, o bairro começou a ser habitado por imigrantes italianos, principalmente genoveses, que deram o estilo que hoje é mundialmente conhecido. Estes imigrantes moravam em casarões chamados conventillos, que eram construções com chapas de zinco e cômodos muito pequenos onde viviam famílias inteiras com uma cozinha e um banheiro compartilhados entre todos os moradores do prédio. Havia também um pátio central e varandas internas. As fachadas dessas casas eram pintadas com as sobras das tintas dos barcos que ancoravam ali. A maioria das vezes, a tinta resgatada não era suficiente para pintá-la inteira, por isso, utilizavam várias e de diversas cores o que deu a peculiar imagem ao bairro. A medida que avançou o tempo e os barcos foram ficando maiores, o porto já não comportava a demanda. A pouca profundidade das águas não deixava entrar barcos de grande calado e, por iniciativa de Eduardo Madero, o porto da cidade foi deslocado aonde se encontra na atualidade. O bairro sofreu essa mudança, e se tornou um local onde as indústrias começaram a se estabelecer. Converteu-se, no segundo bairro mais povoado da cidade em 1895 onde quase 50% dos moradores eram imigrantes.
Foi o bairro do proletariado, várias revoltas –inclusive uma tentativa de criar a República de La Boca pelos imigrantes genoveses- aconteceram ao longo da sua história. De fato, o primeiro deputado socialista da América foi eleito pelos votos da população do bairro. Foi Alfredo Palacios em 1905.
Além de essa característica, La Boca foi também berço de grandes artistas como Benito Quinquela Martín, um pintor que refletia os trabalhos portuários e o cotidiano do bairro e da população em estilo neo-impressionista.
A vizinhança do Riachuelo é um dos locais mais visitados pelos turistas porque está muito ligada à mitologia do tango. Varios pontos são muito procurados pelos visitantes. Caminito, uma rua imortalizada por um tango, onde se vendem pinturas, todo tipo de lembranças e artesanato, é um deles. A Vuelta de Rocha, local onde o Riachuelo faz uma curva bem ampla, La Bombonera –o estádio do clube de futebol Boca Juniors- e um bar onde costuma haver shows de rock e blues chamado El samovar de Rasputín, uma velha cantina italiana reformada para albergar esses shows. Por sinal, há abundância dessas cantinas típicas onde além de experimentar todo tipo de pratos tipicamente italianos, ainda poderá desfrutar da música típica com violino e sanfona em um ambiente muito descontraído. Quem for a La Boca, também pode visitar o Museo de Cera, único da Argentina onde se exibem cenas típicas da história do bairro. Outro local que recreia o bairro é o Mural escenográfico que tem imagens de Diego Maradona, Aníbal Troilo que foi um dos maiores músicos do tango, e Quinquela Martín. Casa Amarilla é uma reprodução da casa do Almirante Guillermo Brown -marinheiro irlandês pioneiro da força naval argentina que participou na defesa do território contra a armada inglesa- onde funciona o Departamento de Estúdios Históricos Navais.
E também, o Museo Quinquela Martín. Em 1933, Benito Quinquela Martín doou um terreno para construir um edifício que albergaria uma escola, um museu de arte argentino e sua própria moradia e ateliê. Ele mesmo decorou as salas com murais. A coleção do museu, que funciona no terceiro andar, foi iniciada por Quinquela Martín e inclui a maior parte da sua obra e a de outros artistas argentinos.
Após a segunda fundação de cidade, Juan de Garay destinou os terrenos da Recoleta para Rodrigo Ortiz de Zárate que o acompanhara na empreitada. Isto foi em 1580.
No início do século XVIII, já haviam passado por vários proprietários que não atribuíam muito valor a eles. Era uma região banhada pelo Rio de la Plata que chegava até onde fica o Museo Nacional de Bellas Artes, e afastada da área construída da cidade que ficava na região sul (San Telmo, Plaza de Mayo).
Então, um casal que tinha os direitos de propriedade doou um lote para os frades Recoletos descalços da Congregação Franciscanade onde provem o nome do bairro. Eles começaram a construir em 1706 o Convento e a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, que foram inauguradas em 1732.
O cemitério, também nasceu com o projeto do convento. E foi conhecido como Cemitério do Norte quando o então presidente Rivadavia o expropriou dos religiosos.
Quando as epidemias de cólera e febre amarela na década de 1870 atacaram à população que estava assentada nos bairros da região sul da cidade, as famílias mais ricas decidiram a mudança para locais mais altos –com a ideia que os locais mais altos da cidade reduziria a quantidade de insetos transmissores das doenças- e assim evitar o contágio.
Os novos moradores construíram mansões luxuosas e prédios em estilo francês, cercados por jardins e parques. O bairro evoluiu rapidamente, também ajudado pelo então prefeito Torcuato de Alvear em 1885 quem projetou a Avenida que leva seu nome, e o Puerto Madero. Com a terra das excavações das obras fez o aterro que permitiu que, atualmente, este bairro tenha um conglomerado de parques e praças.
Entre as principais atrações turísticas do bairro se encontram o já mencionado Museo Nacional de Bellas Artes, o Centro Cultural Recoleta, o Buenos Aires Design, o Cemitério, a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, “Locos por el Fútbol” um bar temático sobre a grande paixão dos argentinos, Plaza Francia onde há feira de artesanato, e numerosos bares, cafés e restaurantes com uma ambientação parisina, com mesas nas calçadas, e a sensação que o tempo passa mais devagar, sem tanta pressa nem estresse.
Conhecer Buenos Aires demanda um certo tempo. Se a própria cidade precisou de duas fundações (em 1536 por Pedro de Mendoza e em 1580 por Juan de Garay), imagine que o turista deve de ter tempo e disposição para caminhar, olhar e desvendar os mistérios que toda cidade grande possui. Como todas as cidades que os espanhóis criavam, Buenos Aires tinha uma Praça central -a atual Plaza de Mayo- uma igreja, e os prédios da administração espanhola na colônia.
A partir de aí, a cidade foi se estendendo para o sul, por isso os bairros de San Telmo e Monserrat foram dos primeiros a serem habitados e onde se estabeleceram as famílias mais aristocráticas. Com a epidemia de febre amarela de 1871, essas famílias se mudaram para o norte da cidade. Foi então, que a cara do bairro mudou, as famílias "patrícias" -como se chamam àquelas que chegaram no início da colonização- fizeram o primeiro grande negócio imobiliário, alugando quartos individuais dos casarões aos trabalhadores. Assim, várias famílias conviviam na mesma propriedade. Esses bairros foram os de maior presença negra na cidade. Atualmente San Telmo oferece muitas atrações a começar pela arquitetura. Um bairro onde grande quantidade de prédios são tombados, declarados Patrimônio Histórico da Cidade. Desde 1970 para cá, e muito mais nos últimos 10 anos, a governo portenho se preocupou em preservar e restaurar algumas construções históricas do bairro. Dentre essas, destacam-se: La Casa Mínima, a Feira de Antigüedades, a rua Defensa e os bares ao ar livre da Praça Dorrego, onde o turista pode assistir a diversos shows típicos e artistas de rua.
Referente a hospedagem, é o local onde há maior proporção de hostels e albergues. É mais frequentado por turistas europeus para ficar, pela proximidade das muitas casas de tango, onde além de assistir os shows, quem se interessar pode fazer aulas.
E também porque o bairro é um convite a caminhar e percorrê-lo pelas ruas de paralepípedos, entrar nos já clássicos "Restobares" -neologismo portenho que denomina os estabelecimentos que oferecem o típico café, mas acrescentaram o serviço de restaurant com pratos executivos a preços acessíveis- e fica a 15 minutos a pé de Puerto Madero, da Plaza de Mayo, e perto do bairro de La Boca.
Esta é uma pergunta chave se imaginamos Buenos Aires como qualquer cidade brasileira. Mas na verdade, o sistema de transporte público é bem mais acessível -em preço- e também com um público muito mais heterogêneo que o nosso.
Falar um pouco de espanhol é uma boa ajuda e vai facilitar além do entendimento, a liberdade e tranquilidade para se deslocar. Mesmo que, na atualidade, o português já é bastante falado pelos portenhos.
Um dado interessante é que a Secretaria de Educação da Cidade fez obrigatório o ensino da nossa língua no Ensino Médio das escolas públicas.
No metrô - que os portenhos chamam de Subte- o turista viajará com donas de casa, empregados de colarinho branco, vendedores ambulantes e músicos. Os percursos de início a final da linha não levam mais que 35 minutos e todas as linhas têm conexão o que possibilita que o passageiro pague apenas uma passagem e possa trocar de linha nas estações específicas (Consulte aquí tudo referente ao metrô).
No autobús, o público não é muito diferente. Apenas a viagem pela superfície pode resultar mais demorada por causa do trânsito nas horas do rush. Geralmente isto acontece no início da manhã e depois das 16 horas de segunda a sexta-feira para ir ou sair do centro da cidade.
Os tâxis também são uma boa opção. Mas atenção, quem pegar tâxi deve mostrar segurança e certo conhecimento da cidade -é bom sempre levar um mapa- para não sofrer com alguns motoristas que se aproveitam da situação.